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Poesia pra Comer e a nova NR-1: arte como estratégia de cuidado no ambiente corporativo

  • 24 de fev.
  • 3 min de leitura

Em maio, período de adaptação é encerrado e a exigência se torna efetiva nas empresas e organizações


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) marca um novo momento para as organizações brasileiras. A partir de 26 de maio de 2026, passa a valer plenamente a obrigatoriedade de inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), ampliando o entendimento de que a saúde no trabalho vai além dos aspectos físicos e operacionais.


“Estresse crônico, sobrecarga, conflitos interpessoais, falhas de comunicação, assédio e ausência de pertencimento deixam de ser apenas desafios culturais e passam a integrar formalmente a gestão de riscos das empresas”, explica a psicanalista e advogada Sylvia P. Roquette Campanati. Desde maio de 2025, as organizações estão em período de adaptação. Em 2026, a exigência se torna efetiva.


“Mais do que uma demanda normativa, trata-se de uma mudança de paradigma: construir ambientes de trabalho emocionalmente saudáveis, capazes de prevenir ansiedade, estresse e burnout, e de fortalecer relações mais empáticas e colaborativas”, complementa Estela Modena, escritora e roteirista.


É exatamente nesse ponto que o Poesia pra comer, idealizado por Sylvia e Estela, se conecta de forma direta com o novo cenário regulatório.

 

Espaços seguros de diálogo 


Criado em 2023, em Sorocaba (SP), o Poesia pra comer nasce da percepção de que, em um mundo marcado por aceleração e empobrecimento das relações, é urgente criar espaços seguros de escuta, reflexão e diálogo.


A proposta parte de um princípio simples e potente: a arte, por não ser doutrinária, abre caminhos para múltiplas leituras, favorece a empatia e amplia repertórios subjetivos, explica Estela.


“Nos encontros, obras de literatura, cinema, música, artes visuais, dança ou teatro funcionam como ponto de partida para conversas mediadas, trocas sensíveis e reflexões compartilhadas”.


No formato corporativo, o trabalho é organizado em módulos de quatro encontros presenciais, realizados mensalmente, com duração de três horas cada, para grupos de até 25 participantes. Cada encontro é estruturado a partir de um “cardápio temático”, inspirado na metáfora da arte como alimento: entrada, prato principal e sobremesa, criando uma experiência formativa e emocionalmente significativa.

 

Prevenção e desenvolvimento humano


Ao promover pausas conscientes no cotidiano acelerado, o Poesia pra comer contribui diretamente para:


• construir espaços seguros de diálogo

• fortalecer empatia e comunicação

• ampliar o senso de pertencimento

• prevenir ansiedade, estresse e burnout

• qualificar lideranças e relações de trabalho


“Em vez de atuar apenas quando o adoecimento já está instalado, o projeto trabalha de forma preventiva, desenvolvendo repertório emocional, capacidade de escuta e consciência coletiva”, revela Sylvia.


Em 2025, a parceria com a Unimed Sorocaba resultou na realização de 24 encontros presenciais voltados à liderança intermediária da instituição. A experiência culminou na emissão de Atestado de Capacidade Técnica, com reconhecimento a qualidade, inovação e impacto positivo do trabalho no desenvolvimento humano e profissional dos participantes.

 

Arte, cuidado e responsabilidade organizacional


Com a entrada em vigor plena da nova NR-1 em 2026, empresas precisarão demonstrar de maneira estruturada como identificam e gerenciam riscos psicossociais. O Poesia pra comer mostra que é possível transformar essa exigência em oportunidade: fortalecer vínculos, ampliar a qualidade das trocas e construir culturas organizacionais mais humanas.

Mais do que atender a uma norma, trata-se de assumir um compromisso com o cuidado, entendendo que a saúde emocional no trabalho não é apenas uma obrigação legal, mas um investimento estratégico e humano.

 

Poesia pra comer Podcast


Em 2025, o projeto ganhou também o formato de podcast, disponível no Spotify. A primeira temporada do Poesia pra comer Podcast conta com sete episódios, organizados a partir de temas como Amor; Subjetividade e objetificação; Vazios; Espelhos; Verdades e mentiras; O eu e o outro, ampliando o alcance do projeto e levando suas reflexões a um público ainda maior.


 

Sobre as idealizadoras


Estela Modena é formada em Letras (PUC-SP) e Cinema (FGV; Paris 1 - Panthéon -Sorbonne; Escac Barcelona). Atuou por 15 anos como professora de línguas e literatura e hoje se dedica à escrita de roteiros e livros. É autora de três livros e participou, como roteirista, diretora e produtora, de curtas-metragens exibidos em festivais no Brasil e no exterior. No teatro, atua como atriz e bailarina.


Sylvia P. Roquette Campanati é psicanalista e advogada, com especializações na área do Direito. Servidora pública municipal de carreira, foi presidente de uma Organização Social voltada à educação de crianças e atuou por seis anos como conselheira tutelar, ampliando seu olhar para as complexidades humanas e sociais.

 
 
 

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