Março Amarelo: mês de conscientização sobre a endometriose
- há 6 dias
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Doença crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, a endometriose ainda é subdiagnosticada e frequentemente associada a anos de dor antes de receber a atenção adequada. A campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a doença, busca justamente ampliar o conhecimento da população e incentivar as mulheres a procurarem avaliação médica diante de sintomas persistentes.
A endometriose está relacionada ao endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero. Em condições normais, explica o Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista e obstetra, responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, os hormônios femininos estimulam a multiplicação das células desse tecido ao longo do ciclo menstrual.
“Esse processo prepara o organismo para uma possível gestação, criando as condições adequadas para a implantação do embrião e a formação da placenta. Quando a gravidez não ocorre, esse tecido descama e é eliminado pelo organismo na forma da menstruação, reiniciando o ciclo”, explica.
Na endometriose, porém, células semelhantes ao endométrio passam a se desenvolver fora do útero, podendo atingir estruturas da cavidade pélvica e abdominal, como ovários, trompas, intestinos e bexiga.
“Mesmo fora do útero, esse tecido continua respondendo aos hormônios femininos. Assim, ele também se espessa e sangra a cada ciclo, provocando inflamação, formação de aderências entre órgãos e, muitas vezes, dor pélvica crônica”, afirma o especialista.
Com a progressão da doença, a inflamação persistente e as aderências podem comprometer o funcionamento dos órgãos atingidos e trazer complicações, entre elas dificuldades para engravidar.
Sintomas que merecem atenção
A endometriose pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da região do corpo afetada. Em muitos casos, os sintomas se intensificam durante o período menstrual.
Segundo o Dr. Alexandre Rossi, alguns sinais merecem atenção especial e devem ser relatados ao ginecologista, entre eles:
• dor menstrual intensa• dor em forma de cãibra, choque ou queimação que pode irradiar para glúteos ou pernas• sensação de forte vontade de evacuar ou urinar mesmo sem conteúdo no reto ou na bexiga• sensação de perda urinária iminente• dor ou dificuldade para evacuar• incontinência urinária ou anal• dificuldade para se locomover durante o período menstrual
“Esses sintomas podem indicar que a doença está atingindo estruturas mais profundas, inclusive nervos, o que exige investigação adequada”, orienta o médico.
Após a avaliação clínica, exames como ultrassonografia transvaginal especializada e ressonância magnética podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença.
Tratamento e qualidade de vida
Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento será individualizado, levando em consideração a localização da endometriose, a intensidade dos sintomas e as condições gerais de saúde da paciente.
Na maioria das situações, a abordagem inicial é clínica, com medicamentos que ajudam a controlar a atividade hormonal da doença e aliviar os sintomas, proporcionando melhora significativa da qualidade de vida.
“Em alguns casos, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. Quando isso acontece, avaliamos cuidadosamente a melhor técnica para remover as lesões, preservando nervos e órgãos envolvidos”, explica o especialista.
Para o Dr. Alexandre Rossi, campanhas como o Março Amarelo são fundamentais para reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico.
“A dor menstrual incapacitante não deve ser considerada normal. Quanto mais cedo a endometriose for identificada, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida da mulher”, conclui.




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