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Estudo com quase 900 mil mulheres reforça segurança da terapia hormonal na menopausa

  • 18 de fev.
  • 2 min de leitura

Um dos maiores estudos já realizados sobre terapia hormonal da menopausa (TRH) acaba de trazer dados importantes para mulheres e profissionais de saúde. Publicado no periódico científico The BMJ, o estudo dinamarquês acompanhou 876.805 mulheres por um tempo médio de 14,3 anos e concluiu que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade geral.


A pesquisa utilizou registros nacionais da Dinamarca, acompanhando mulheres nascidas entre 1950 e 1977, desde os 45 anos de idade até julho de 2023. Entre elas, 11,9% utilizaram terapia hormonal sistêmica ao longo do seguimento. No total, foram registrados 47.594 óbitos durante o período analisado.


Após ajustes estatísticos rigorosos, incluindo idade, paridade, escolaridade, renda, comorbidades cardiovasculares e metabólicas, o estudo indicou ausência de aumento de risco e possível discreta redução.

 

Tempo de uso e tipo de TRH


O estudo também analisou o impacto conforme a duração da terapia hormonal e concluiu que não houve aumento consistente do risco de morte mesmo com uso prolongado.

Um dado particularmente relevante foi a análise por tipo de formulação. Mulheres que utilizaram predominantemente formulações transdérmicas (adesivo ou gel) apresentaram risco significativamente menor de mortalidade. Esse achado reforça a hipótese já discutida na literatura de que a via transdérmica pode ter menor impacto trombótico e metabólico quando comparada à via oral.

 

Impacto histórico


O estudo também documentou uma queda acentuada no uso da terapia hormonal após a publicação do Women’s Health Initiative, em 2002. Na Dinamarca, a proporção de mulheres de 55 anos que utilizavam ou já haviam utilizado TRH caiu de 27% em 2004–2006 para 9,7% em 2021–2023


Para o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, os dados reforçam os benefícios, mas também a importância da individualização da conduta na TRH.


“A terapia hormonal deve ser indicada com base em evidência científica atualizada e na avaliação individual de cada paciente. Quando bem indicada, especialmente em mulheres recentemente menopausadas, sintomáticas e sem contraindicações, ela é uma ferramenta segura e eficaz para melhorar qualidade de vida.”


O especialista ressalta que o momento de início da terapia é relevante e que decisões devem considerar histórico cardiovascular, oncológico e perfil metabólico.

Em resumo, o estudo fortalece:


✔ A TRH não aumenta mortalidade geral

✔ A via transdérmica pode ter perfil particularmente favorável

✔ As diretrizes atuais permanecem alinhadas às evidências


O estudo reforça recomendações internacionais que indicam a terapia hormonal para mulheres no início da menopausa com sintomas moderados a intensos, desde que não haja contraindicações.


 

 

 
 
 

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