Atenção redobrada: canetas emagrecedoras e saúde da mulher
- Monica Kulcsar
- 11 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, as conhecidas “canetas emagrecedoras”, vem crescendo rapidamente. Embora os análogos de GLP-1 e outras medicações do tipo sejam indicadas e uma excelente opção em situações específicas, devem ser utilizadas sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Segundo o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, o uso indiscriminado traz riscos, que merecem atenção especial, sobretudo em alguns casos específicos.
“Para a saúde da mulher, especialmente no climatério, menopausa ou em fases de maior vulnerabilidade hormonal, o uso sem acompanhamento pode trazer riscos significativos e silenciosos. Todo emagrecimento deve ser seguro, planejado e orientado, sempre lembrando que o mais importante, sempre, é a saúde a longo prazo”.
Na menopausa, explica o Dr. Alexandre, a queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea. “Quando o uso das canetas provoca emagrecimento rápido ou perda desproporcional de massa magra, o risco de osteopenia e osteoporose aumenta ainda mais. A combinação de déficit hormonal, perda de peso inadequada e carência nutricional é potencialmente perigosa para a saúde dos ossos”.
Sem o devido acompanhamento e a correta orientação, sobretudo sobre a importância da realização de atividades físicas regulares, a perda de massa magra tende a ser ainda maior.
“Nas mulheres, que já têm menor massa muscular, esse efeito pode gerar fadiga, redução da taxa metabólica, desequilíbrios posturais e maior risco de quedas e lesões”.
Mais equilíbrio, menos riscosMesmo em mulheres mais jovens, o uso destes medicamentos pode trazer irregularidade menstrual, piora de sintomas pré-existentes ou alterações no padrão de sangramento. Isso ocorre porque oscilações abruptas de peso e metabolismo interferem no eixo hormonal, podendo impactar fertilidade, ovulação e sintomas como TPM e dor pélvica.
A perda de apetite causada pelos análogos de GLP-1 pode também levar à ingestão insuficiente de proteínas, ferro e vitaminas essenciais, especialmente A, D, B12 e folato. Entre mulheres, isso aumenta a chance de queda capilar, fragilidade das unhas, anemia e piora da saúde da pele.
Sintomas como náuseas persistentes, constipação severa, refluxo e gastrite podem surgir ou piorar. O problema é que muitas mulheres “normalizam” esses efeitos, mantendo o medicamento mesmo com sinais de alarme, podendo evoluir para complicações como desidratação ou distúrbios eletrolíticos.
Mulheres sem obesidade ou doenças metabólicas podem experimentar hipoglicemias, tonturas e instabilidade glicêmica. Isso é especialmente arriscado para quem tem rotina intensa, dirige longas distâncias, pratica exercícios de alta intensidade ou amamenta.
O uso inadequado também aumenta o risco de colelitíase, popularmente conhecidas como pedras na vesícula, pancreatite e alterações hepáticas, quadros que exigem avaliação médica imediata.
Saúde em primeiro lugar
O uso sem orientação pode reforçar comportamentos de risco relacionados à pressão estética. Além disso, ao interromper o medicamento, muitas pessoas vivenciam reganho de peso, o que pode gerar culpa, ansiedade e sensação de fracasso.
Por todos estes alertas, é importante realizar qualquer tipo de tratamento sempre com acompanhamento, e realizar todos os exames necessários para verificar quais os caminhos mais indicados em cada caso.
No caso da perda de peso com as canetas emagrecedoras, é importante que algumas medidas sejam adotadas. Confira:
Avaliação médica e acompanhamento ao longo de todo o tratamento
Exames laboratoriais periódicos
Prática regular de exercícios de força para preservar massa magra
Nunca iniciar, alterar dose ou interromper o tratamento sem supervisão médica








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